quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Promoção de supermercado no Centro deixa trânsito caótico em Niterói


Congestionamento teria começado devido ao grande número de carros ao redor do estabelecimento localizado no Centro. Engarrafamento chegou até o Piscinão de SG

Os motoristas viveram um dia de caos no trânsito durante todo o dia de ontem. O engarrafamento, provocado por uma demanda inesperada de clientes em um supermercado que fica na esquina de duas importantes vias de acesso em Niterói, chegou ao Piscinão de São Gonçalo, no bairro Boavista, e também parou a Ponte Rio-Niterói.

No final da tarde, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) chegou a montar um esquema especial com reforço no policiamento para evitar arrastões devido ao trânsito intenso. 

“O trânsito hoje (ontem) ficou insuportável. Para evitar arrastões, deslocamos duas equipes para a Niterói-Manilha. O engarrafamento durou o dia todo”, revelou o inspetor da PRF, Fábio Caldeira, afirmando que já pediu reforço para hoje também.

Além dos problemas normais do trânsito da cidade, como acidentes e blitzes, uma promoção de aniversário do Guanabara atraiu um número de clientes acima do usual e, por conta da falta de espaço no estacionamento, carros paravam em fila do lado de fora do supermercado, causando um nó na Avenida Jansen de Melo e na Rua Marechal Deodoro, que se refletiu tanto no trânsito para quem chegava à cidade, quanto para quem saía e nas ruas do Centro. 

A professora Tereza Cristina Aceti, de 57 anos, contou que chegou a entrar no mercado, mas desistiu de fazer compras devido ao tumulto.

“O trânsito está uma loucura! De Santa Rosa até o Centro levei quase duas horas. O trânsito de Niterói não é bom, mas hoje (ontem) está muito pior”, declarou.

O motorista Bruno Araújo, de 31 anos, revelou que demorou duas horas e meia para ir da Alameda São Boaventura à Rua Marechal Deodoro.

“Hoje (ontem) está sendo um dia insuportável. O que já era caótico ficou ainda pior devido ao estacionamento do supermercado”, queixou-se.

Nas redes sociais da internet, choveram mensagens sobre o caos no trânsito. O supermercado não comentou o caso.

Falta de estudo de impacto viário gera discussão política
O líder do PDT na Câmara de Niterói, vereador Luiz Carlos Gallo, apontou o secretário de Serviços Públicos, Trânsito e Transporte, José Roberto Mocarzel, como principal culpado pelos engarrafamentos ocasionados pelo supermercado. Em sessão plenária realizada ontem na Câmara dos Vereadores, Gallo afirmou que Mocarzel influenciou diretamente a liberação do alvará de funcionamento apesar de a Prefeitura, a pedido dos vereadores, ter suspendido o licenciamento até a realização de um estudo de impacto viário na região. Em seguida, o vereador João Gustavo (PMDB) afirmou que a entrada no estacionamento  do supermercado chegou a ser fechado a pedido do presidente da Niterói Transporte e Trânsito (NitTrans), Sérgio Marcolini, e, em seguida, foi reaberto por ordem de Mocarzel. 

“No ano passado, nós vereadores tínhamos a preocupação de que esse caos poderia acontecer, como agora aconteceu.

Fomos à Prefeitura e nos reunimos com representantes do município, que afirmaram que suspenderiam a liberação do alvará até que fossem realizados mais estudos. Porém, três dias depois, o alvará foi concedido. Na véspera, Mocarzel jantou com o dono do supermercado”, disse o vereador Gallo. 

No meio da discussão, o peemedebista João Gustavo pediu a palavra e questionou quem era o culpado da situação. Ele informou que, contrariando uma decisão do Marcolini que havia mandado fechar o supermercado no início da tarde, Mocarzel teria mandado reabrir os acessos ao supermercado uma hora depois.

“Esse problema só aconteceu porque as tão anunciadas obras do projeto Lerner não saíram do papel. Hoje, Marcolini chegou a fechar o supermercado e uma hora depois o Mocarzel mandou reabrir. No Rio, em nenhuma unidade isso aconteceu”, afirmou.

Sérgio Marcolini confirmou que fechou por duas vezes os acessos ao supermercado para melhorar o fluxo no local. Porém, o presidente da NitTrans não disse se houve, de fato, ordem para reabrir.
A assessoria do supermercado Guanabara não comentou sobre o suposto encontro entre Mocarzel e representantes do grupo na época do pedido de alvará. Segundo ela, a direção da empresa estava reunida em São Paulo incomunicável. Até o fechamento desta edição, José Roberto Mocarzel também não se manifestou.

A NitTrans informou que o estudo de impacto viário foi feito e aprovado no governo anterior, “no entanto, nenhum estudo de impacto viário prevê eventos excepcionais como o que ocorreu hoje (ontem) e portanto, o supermercado deveria ter consultado a NitTrans antes de realizar a promoção”.(O Fluminense)


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