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quarta-feira, 30 de março de 2011

Traficantes do Rio migram para comunidade de Charitas

Polícia Civil confirma que criminosos da Mangueira estão escondidos em mata no Morro do Preventório. Bandidos estariam fortemente armados com fuzis e pistolas, provocando medo entre moradores

Mais de 50 ligações já foram feitas para o Disque-Denúncia e para a 79ª DP (Jurujuba) nas últimas três semanas, denunciando que traficantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) foragidos do Morro da Mangueira, na Zona Norte do Rio, migraram para o Morro do Preventório, em Charitas, na Zona Sul de Niterói, para fugir da ocupação das favelas cariocas pelas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPS). 

Documento do Setor de Inteligência (SI) da Polícia Civil confirma que pelo menos três homens que lideravam o comércio de entorpecentes na Mangueira chegaram à cidade na noite da última quinta-feira. Segundo moradores do Preventório, ao todo 40 criminosos já teriam migrado para a comunidade de Niterói, trazendo pelo menos oito fuzis e várias pistolas. Eles teriam participado de recente tiroteio com policiais, que mobilizou dois helicópteros do Grupamento Aeromarítimo (GAM).
Segundo a polícia, boa parte dos bandidos da Mangueira teria chegado ao Preventório para participar de uma festa em comemoração ao aniversário do chefe do tráfico local, neste fim de semana. Todos estariam escondidos na mata, protegidos por arsenal que inclui fuzis e pistolas. Desde então, policiais militares e civis têm feito incursões na comunidade, mas as condições do terreno, com muita área de mata fechada, estariam dificultando as ações.
Na última sexta-feira, intenso confronto de mais de três horas entre os criminosos e policiais levou pânico a moradores vizinhos ao Morro do Preventório e passageiros dos catamarãs de Charitas, a poucos metros do local. Assustados e com medo de balas perdidas, cerca de 200 moradores da comunidade evitaram subir o morro e se aglomeraram nos principais acessos à comunidade. Na ocasião, os bandidos teriam conseguido fugir da polícia pela mata que dá acesso ao Parque da Cidade. Outros, segundo a polícia, teriam seguido para São Gonçalo em um Citroën roubado entre os bairros de Pendotiba e Maria Paula. O veículo ainda não foi recuperado.

Memória -
Apesar da intensa mobilização de agentes para a região nos últimos dias, a polícia diz ainda não considerar o tráfico do Morro do Preventório um dos mais perigosos de Niterói. As vendas de entorpecente no local, segundo a polícia, seriam voltadas para consumo interno, ou seja, para usuários da própria comunidade. Denúncias anônimas levaram a polícia a prender no último dia 17 um homem de 33 anos na comunidade. Contra ele haviam dois mandados de prisão por roubo e extorsão. Na semana passada, três jovens foram presos com drogas na comunidade.(O Fluminense)

sábado, 19 de março de 2011

Homem espancado acusa PMs da UPP da Cidade de Deus

Além de disparos feitos para o alto, o carnaval da Cidade de Deus teve outras cenas de violência. Morador e comerciante da favela, Francisco Amir dos Santos acusa quatro policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de agressão, próximo ao local onde houve o tumulto entre moradores e PMs.

Segundo Pará — como é conhecido na favela —, um dos agentes teria batido com o fuzil em seu rosto. Em seguida, os quatro teriam dado tapas, socos e pontapés nele. O registro de ocorrência foi feito na 32ª DP (Taquara), no último dia 9.

Francisco estava com o triciclo que usa para vender balas e doces quando a confusão começou. Durante a correria causada pelos tiros da polícia, pessoas que passavam correndo aproveitaram para roubar balas e biscoitos. Gritando e xingando, Francisco foi confundido pelos PMs.

— Eles acharam que eu estava xingando a polícia. Um deles veio e disse "mete o pé". Eu falei que o triciclo era meu, que não podia sair. Ele me mandou sair ou daria um tiro no meu pé. Quando me apontou o fuzil, eu segurei o cano da arma — descreve.

Outros três PMs teriam se aproximado, um deles dando um chute no comerciante. O golpe teria feito Francisco largar a arma. Os quatro teriam começado a bater nele, mas logo foram interrompidos por moradores, que afirmavam tratar-se de um trabalhador.

Medo de ‘sumir’
— Eu disse que não tinha cometido crime algum. Meu medo era que, ao entrar no carro deles, eu desaparecesse — afirmou Francisco: — Eu tenho medo de ser "esculachado" novamente pelos policiais.

Atendido na Unidade de Pronto (UPA) da Cidade de Deus, Francisco recebeu curativos no rosto. O exame de corpo de delito pedido pela 32ª DP deve sair até o fim do mês. Franciso espera que os policiais sejam punidos, mas afirma que vai entrar com uma ação contra o Estado:

— Tenho testemunhas que já afirmaram que vão depor a meu favor — diz Franciso, afirmando que conseguiria reconhecer os agressores.

Segundo a Polícia Civil, a 32ª DP solicitou à UPP a escala de todos os policiais que estavam trabalhando naquela noite, mas, até ontem, ainda não havia recebido a relação.

A Secretaria de Segurança afirmou que não tinha conhecimento do caso de Francisco, até ser procurada pelo jornal Extra. Em nota, afirmou que "todo o incidente ocorrido na Cidade de Deus na madrugada da última quarta-feira está sendo investigado pela Corregedoria da Policia Militar".(Jornal Extra)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Polícia faz operação em quatro favelas no Rio. Helicóptero da Globo e prédio da prefeitura são atingidos


Cerca de 150 policiais civis do Rio estão, desde as primeiras horas da manhã desta segunda-feira, no conjunto de favelas da Mineira, no Estácio, região central da capital fluminense. A chegada dos policiais provocou reação dos traficantes de drogas do local, que abriram fogo contra os agentes e atingiram, com três disparos, um helicóptero da Rede Globo de televisão, que fazia imagens da ação. O principal prédio da prefeitura do Rio também foi atingido.

Segundo informou a emissora, a aeronave, conhecida como Globocop, foi atingida por três disparos no momento em que se preparava para registrar a operação. “Um dos projéteis atingiu o assoalho, o segundo, a região central e o terceiro, a cauda da aeronave, modelo Eurocopter AS350 B2. Este terceiro projétil afetou a dirigibilidade do Globocop e obrigou o piloto Antonio Ramos a realizar um pouso forçado no Aeroporto de Jacarepaguá”, informa uma nota divulgada pela Globo.

Além do piloto, estavam a bordo o operador de sistemas Roberto Mello Reis e a repórter Karina Borges. A Rede Globo informa que ninguém se feriu e que o incidente foi comunicado “às autoridades policiais e aeronáuticas”.

O Centro Administrativo São Sebastião, prédio da prefeitura do Rio conhecido como 'Piranhão', também teve janelas alvejadas. A prefeitura informou, por nota oficial, que cinco janelas de três andares do Centro Administrativo São Sebastião (CASS), na Cidade Nova, foram atingidas por disparos no início da manhã de segunda-feira. Não houve feridos.

Funcionários de órgãos municipais chegaram a ser retirados do local, mas, como informou a assessoria de comunicação da prefeitura, os tiros ocorreram antes das 9h, quando começa o expediente.

Pouso forçado - De outra aeronave, um cinegrafista da Rede Record conseguiu filmar o Globocop se deslocando rapidamente até o aeroporto de Jacarepaguá. Ao chegar perto do solo, em uma área com grama, o helicóptero toca o chão com violência e chega a quicar. Em seguida, os ocupantes deixam a cabine às pressas.

As favelas do São Carlos, Zinco, Querosene e Mineira são o alvo da ação, que segundo a polícia tem objetivo de investigar e reprimir as quadrilhas de traficantes que atuam no local. Apesar da intensa troca de tiros entre policiais e criminosos nas quatro favelas ainda não há registros de feridos. O objetivo da ação, segundo a polícia, é combater o tráfico de drogas.

Ataques a aeronaves – Em outubro de 2009, na zona norte do Rio, traficantes alvejaram um helicóptero da Polícia Militar que dava apoio a uma operação no Morro dos Macacos. Três dos ocupantes morreram. A favela, em 2010, foi ocupada para receber uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Exército deve permanecer na Vila Cruzeiro e no Alemão por até 7 meses, diz Cabral


O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), anunciou na manhã desta segunda-feira que já existe um acordo entre o governo do Estado e o Ministério da Defesa para que o Exército policie os recém-reconquistados territórios da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão até que seja possível instalar duas UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) nas comunidades.


"Já está acordada [com o Ministério da Defesa] a permanência das tropas, agora estamos na fase das tratativas técnicas, que não passa por mim, passa pelo secretário Mariano, passa pelos oficiais militares do Ministério da Defesa. Isso está sendo feito desde ontem para que dê a paz e a tranquilidade, a garantia dessa transição para o modelo UPP", afirmou.

Com o apoio das Forças Armadas, a polícia ocupou o Complexo do Alemão praticamente sem resistência dos traficantes na manhã de domingo (28), após uma série de atentados ocorridos na cidade desde o dia 21, com 106 veículos queimados, atribuídos justamente a uma resistência dos criminosos à instalação de UPPs em 13 favelas cariocas. Na quinta-feira, policiais já tinham entrado na Vila Cruzeiro, favela vizinha ao complexo.

Cabral disse que a solicitação ao Ministério da Defesa, quando formalizada, deve requisitar as tropas por um período de 6 a 7 meses, embora o comandante-geral da Polícia Militar do Rio, Mário Sérgio Duarte, "mais otimista do que eu", acredite que as UPPs possam ser instaladas em menos de quatro meses.

A previsão é que as duas UPPs mobilizem entre 2.000 e 3.000 homens da Polícia Militar, a serem escolhidos entre os 7.000 novos policiais que se formarão em 2011.

A função do Exército, diz Cabral, será "um policiamento ofensivo permanente" na fase de transição até a implantação das UPPs. Em outras comunidades já pacificadas, essa tarefa coube ao Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar).

A mobilização do Exército visa evitar que os traficantes possam se reorganizar na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão no intervalo necessário para a implantação da UPP. Ao mesmo tempo, libera as forças policiais para novas operações nos próximos meses. Ontem, Cabral não quis antecipar os próximos passos, mas admitiu que estão no horizonte ações para a retomada da Rocinha e de Manguinhos, dois dos principais redutos remanescentes do tráfico no Rio.

"A reconquista dos territórios, tanto da Vila Cruzeiro quanto do Complexo do Alemão, já foi efetivada, agora são os próximos passos. Não vamos dormir nos louros das conquistas de ontem. Nós acordamos desde cedo com os desafios de hoje e dos próximos dias, semanas e meses que é a reconquista dos territórios ainda ocupados pelo poder paralelo. Esses próximos passos passam por essa integração com o Ministério da Defesa e com a Polícia Federal, tanto em ações pontuais de inteligência, quanto em ações mais ostensivas, no caso da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão", afirmou Cabral.(Folha de São Paulo)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Bope e Marinha fazem megaoperação com blindados no Rio

São seis blindados e dois caminhões com fuzileiros navais nas ruas.
Outras dezenas de veículos do Bope tambésm estão em ação.

Equipes do Batalhão de Operações Especiais (Bope)  e fuzileiros navais fazem uma megaoperação na região das favelas na Penha, subúrbio do Rio no final da manhã desta quinta-feira (25). Seis veículos blindados da Marinha e dois caminhões com fuzileiros deixaram há pouco o quartel de fuzileiros navais, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

A expectativa é que os policiais se dirijam par a Vila Cruzeiro, onde bandidos armados se concentram. O comboio da polícia,  com mais de dez veículos do Bope, chegou à região hoje cedo. O clima é de tensão na região.

Mais cedo, quatro homens em duas motocicletas tentaram utilizar um caminhão de lixo para bloquear a passagem na Rua Tenente Luís Dorneles, na entrada do Grotão, na Vila Cruzeiro. Segundo a Comlurb, os bandidos teriam ordenado que o motorista permanecesse no local bloqueando o acesso à comunidade. Ainda de acordo com a empresa, depois de dar a ordem, eles teriam deixado o local e o motorista ligou o caminhão e fugiu.(G1)

 

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Pelo menos um taxista é assaltado diariamente em Niterói

Os cerca de 2 mil taxistas que circulam pelas ruas de Niterói convivem com frequente medo de assaltos. Situação teria se agravado após início da instalação das UPPs no Rio

Os cerca de 2 mil taxistas que circulam pelas ruas de Niterói convivem com o frequente medo de assaltos. Segundo a Associação de Taxistas de Niterói, pelo menos um ou dois motoristas são assaltados todos os dias na cidade. A situação teria se agravado após o início da instalação, este ano, das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Rio, que segundo a categoria, teria provocado a migração de bandidos em fuga para Niterói.

“Registramos aumento de 50% no número de ocorrências após a implantação das UPPs, no Rio, que estão fazendo os criminosos de lá virem para cá”, afirmou o presidente da Associação dos Taxistas de Niterói, Márcio Nogueira, acrescentando que já está desenvolvendo um trabalho para alertar a categoria sobre o risco.

Segundo os taxistas, pelo menos duas quadrilhas estariam atuando na região. Uma delas teria entre seus integrantes dois homens e uma mulher loira. A outra teria um integrante com cicatriz no rosto.

Normalmente os bandidos se fazem passar por passageiros e pedem para serem deixados no Fonseca, Santa Rosa ou Cubango. Um dos pontos mais perigosos, segundo a categoria, é a esquina das ruas Noronha 

Torrezão e Vinte e Dois de Novembro, no Cubango, próximo às comunidades da Travessa Iara e do Morro do Abacaxi, onde vários assaltos foram anunciados. Muitas vezes os falsos passageiros também pedem para serem deixados em bairros da vizinha São Gonçalo, onde os assaltos são consumados.

“Já fomos informados da ação específica destes dois grupos e estamos tentando alertar todos os motoristas de praça sobre as suas características”, frisou Márcio Nogueira.

O titular da 78ª DP (Fosenca), Reginaldo Guilherme da Silva, disse desconhecer a onda de assaltos, alegando que não houve aumento de registros de roubos a taxistas na área de sua jurisdição. A categoria, no entanto, argumenta que o medo impede que os casos sejam levados até as delegacias, porque como os taxistas estão sempre na praça, tornam-se alvos fáceis da represália de criminosos.

Revólver apontado para cabeça - O taxista Luiz Carlos Paulino, de 40 anos, da Cooperativa Embrataxi, foi vítima de assalto há cerca de um mês.

“Fui atacado pelo homem que tem a cicatriz no rosto. Ele entrou no carro, no Centro, e pediu que o levasse à Rua Noronha Torrezão, no Cubango. Lá, ele colocou um revólver na minha cabeça e levou meu dinheiro, cerca de R$ 120, além do meu celular”, lembra.

O motorista contou que desde então mudou seus hábitos na praça. “Parei de trabalhar à noite e de pegar passageiros na rua. Agora só pego no ponto da cooperativa. Também ando sempre com os vidros fechados e conto com a proteção de Santo Expedito. Trago sua imagem todos os dias no carro”, revelou, lembrando que outro taxista, Relton Martins Barros, de 70 anos, também da Embrataxi, foi assassinado no dia 25 de julho, no Largo da Batalha, durante um assalto.

GPS: paliativo contra a violência - Preocupado com a onda de assaltos contra taxistas, o Conselho de Segurança de Niterói cobra mais policiamento na cidade.

“Escutamos falar desses assaltos, diariamente, inclusive já tomamos ciência da existência dessas quadrilhas. Mas não vejo a Polícia Militar, por exemplo, parar os taxistas durante as blitzen. Vejo que muitas estão sendo feitas pela cidade, mas visando a apenas encontrar veículos com o IPVA atrasado. Se parassem os taxistas e olhassem o passageiro que está dentro, obviamente sem atrasar muito a viagem, alguns desses assaltos poderiam ser evitados”, sugeriu o vice-presidente do conselho, Leandro Santiago de Barros.

Para ele, a Prefeitura também poderia realizar campanha para incentivar os taxistas a utilizarem dispositivos eletrônicos como GPS, que fazem o monitoramento de itinerários via satélite. O GPS já é utilizado pela Cooptax. O equipamento é aprovado pelos taxistas, mas com ressalvas.

“O GPS ajuda quando avisamos à central que vamos para algum destino e este é desviado no meio do caminho. Mas quando os assaltos são praticados durante os trajetos predeterminados, não faz muita diferença. O jeito é escolher quem você pega como passageiro, evitando suspeitos e corridas para áreas de risco”, desabafou um taxista de 47 anos, que está há 23 anos na praça.

A Prefeitura informou que não possui programa voltado ao incentivo do uso de equipamento de rastreamento  pois a contratação desses serviços representa gastos que devem ser avaliados pelos prestadores do serviço em questão.

Polícia Militar conseguiu prender um dos suspeitos 

Na última sexta-feira, policiais do 12º BPM (Niterói) prenderam Thyago Fortes do Nascimento, de 22 anos, acusado de assaltar dois taxistas no Cubango. Os roubos foram feitos na Rua Noronha Torrezão. Edson Biloria de Rezende, de 52 anos, uma das vítimas, contou que já tinha sido alertado sobre os crimes na área.
“Já estava sabendo, mas é difícil negar passageiro”, alegou, revelando que chega a pensar em mudar de profissão. 

“Muita coisa passa pela cabeça, agora estou com a sensação de que nasci de novo. Na hora você pensa na família, em largar o táxi. Mas depois lembra que tem que pagar as contas e continuar se arriscando”, desabafou.

O comandante do Batalhão de Niterói, tenente-coronel PM Ruy França, não respondeu às ligações feitas para o seu celular até o fechamento desta edição.(Fluminense)