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quinta-feira, 31 de março de 2011

Guarda Municipal retira moradores de rua no Centro de Niterói


Ações aconteceram na Praça Juscelino Kubitschek e na Rua Coronel Gomes Machado. População foi levada para centro de referência e depois recebeu atendimento específico


A Secretaria de Assistência Social de Niterói e a Guarda Municipal realizaram operação para retirar moradores de rua do Centro. As ações foram concentradas na Praça Juscelino Kubitschek e na Rua Coronel Gomes Machado. As pessoas foram encaminhadas para o Centro de Referência Especializado para a População em Situação de Rua (Crepop) onde receberam atendimento específico.

Mesmo conhecendo a equipe de abordagem, composta por educador social, psicólogo, assistente social e pedagogo, muitos moradores de rua ofereceram resistência para deixar os locais e foi necessário intenso trabalho de convencimento. Além da retirada, o Crepop providencia a higiene pessoal dos atendidos e a retirada de documentos, entre outros serviços oferecidos.

”Ações como essas pretendem, por meio de sensibilização e conscientização, a aceitação do acolhimento”, disse um integrante da equipe.

Pedestres e estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF), que circulam  com frequência pelo local, apoiaram a ação da Prefeitura.
”É desconfortável não só para eles, pois sabem do perigo das ruas, como para a imagem da cidade, que recebe turistas durante o ano todo”, afirmou o empresário Rodrigo Martins de Oliveira, de 31 anos.

A estudante de Letras Isabel Cristina, de 28 anos, diz que teme ao passar sozinha pelo local quando sai da faculdade.

”Fico com medo de passar por aqui. Meu amigo um dia desses chegou branco na faculdade, dizendo que foi furtado pelos moradores de rua”, declarou. 

Na ação realizada na última segunda-feira, nos mesmos locais, 11 pessoas receberam o atendimento e foram encaminhadas também para o Crepop.  

A Secretaria de Assistência Social informou que está atuando de forma intensa na região devido à complexidade da situação, ou seja, a resistência constante das pessoas que ocupam o local em relação ao trabalho de abordagem e a tentativa de convencimento para que elas saiam das ruas. O órgão ressalta que a aceitação das pessoas ocorre de forma lenta e gradual.(O Fluminense)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

População de rua não se restringe somente à Zona Sul de Niterói


Moradores cobram solução para o problema que afeta vários bairros de Niterói. Pedintes e catadores se espalham, levando o medo e sujeira para as ruas do Centro e da Zona Norte

Assim como está ocorrendo na Zona Sul, moradores de rua estão tomando os espaços públicos do Centro e da Zona Norte de Niterói. Moradores, comerciantes e pedestres reclamam da ocupação por mendigos das praças Juscelino Kubitscheck (JK) e Leoni Ramos, entre outras. No Rink, a preocupação é com o lixo acumulado por catadores.

Na Praça JK, ponto turístico desenhado por Oscar Niemeyer como parte do Caminho que leva o nome do arquiteto na cidade, a situação é constrangedora. Situada na Avenida Visconde do Rio Branco, ela acabou virando reduto da população de rua. Segundo moradores do bairro e pessoas que passam pelo local, durante todo o dia, mas principalmente no final da tarde e à noite, é grande a sensação de insegurança, associada à ocupação irregular e ao consumo de drogas na praça.

Na Praça Leoni Ramos, em São Domingos, a sensação de insegurança é menor, porém a condição precária em que vive toda uma família, inclusive uma idosa e uma criança, preocupa a população. Segundo moradores e trabalhadores do entorno, a família se instalou na praça após sua reforma (a obra foi entregue em 2009 pela Prefeitura). No local é possível ver pessoas dormindo numa tenda improvisada sob o busto de D. Pedro II.(O Fluminense)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Calçadas da Zona Sul viram abrigo de moradores de rua


O ano começou e o mesmo problema continua a atormentar a população de Niterói. A crescente ocupação de espaços públicos incomoda. Prefeitura afirma que tem um novo projeto

Moradores de Niterói estão preocupados com a presença constante da população de rua, principalmente na Zona Sul da cidade. Mesmo com as operações de choque de ordem promovidas pela Prefeitura, famílias inteiras acabam voltando a ocupar calçadas, marquises e praças, causando desordem urbana e sensação de insegurança. Os bairros de Icaraí, Jardim Icaraí e São Francisco seriam os principais redutos dessa população. A Prefeitura planeja a abertura de um centro de referência voltado para essas pessoas.

Na Praça Getúlio Vargas, em Icaraí, um dos brinquedos do parquinho foi transformado em abrigo para uma mulher, que dormia junto com uma criança. Roupas e pertences ficaram expostos sobre o brinquedo, como um varal.


Depois de algumas horas, a família já era vista em outro ponto costumeiramente utilizado pelos moradores de rua: a entrada do prédio do antigo Cinema Icaraí. Segundo moradores, é ali que se refugiam, pelo menos, duas famílias. Apesar das operações de choque de ordem, dias depois, todos retornam para o local.
“Geralmente, duas famílias moram no cinema. Quando tem operação, eles somem por uns dois ou três dias, mas acabam voltando. Às vezes, ficam dentro da praça. Chego às 6h e eles já estão lá dentro”, relata Leandro Meira, de 28 anos, porteiro de um edifício vizinho.

Na Rua Lopes Trovão, sob a arquibancada do Estádio Caio Martins, a cena se repete. O local é habitado por um grupo de moradores de rua, que guardam seus pertences, dormem e até cozinham em um fogão improvisado na calçada. Em São Francisco, a Praça Dom Orione, há quase três meses, vem servindo de moradia para outro grupo. 



A Prefeitura de Niterói informou que, atualmente, a população de rua na cidade é de cerca de 250 pessoas e que tem um trabalho social voltado para essas pessoas, que são encaminhadas aos Centros de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS), onde recebem banho, alimentação e acolhimento. O Executivo disse, ainda, que possui três abrigos e que, no final do ano passado, um importante convênio com o Governo do Estado foi feito para a criação do Centro de Referência Especializado em População em Situação de Rua (CREPOP), a ser inaugurado ainda este ano, que irá oferecer mais serviços voltados para as pessoas em situação de rua.

Portões de praças poderão ser fechados para controle

O fechamento de alguns portões do Campo de São Bento, para tentar controlar a entrada no local, pode virar moda. A Praça Nossa Senhora de Fátima em frente à Catedral Metropolitana São João Batista, no Centro, pode ser o próximo espaço público a ter os portões fechados. A medida seria uma solução para a invasão de moradores de rua nos últimos meses e que tem tirado o sossego de fiéis e frequentadores.
O secretário de Segurança e Controle Urbano, Wolney Trindade,  explica que gostaria de fechar os portões da praça, mas mantendo um horário de abertura e fechamento e com Guarda Municipal na porta. Ele explica que guardas municipais serão colocados no local, assim que terminar o concurso que está prestes a ser realizado.

A intenção vai ao encontro do desejo do administrador da catedral, Roberto Batista.

“É claro que a melhor solução seria ter um efetivo permanente que garantisse que não fosse feito mau uso do espaço, mas também não podemos deixar como está. Se a solução for fechar os portões, a Prefeitura pode fechá-los. Em Icaraí, os espaços foram fechados e os moradores de rua estão vindo para cá”, explica Roberto, que disse, ainda, que o movimento nas missas tem caído.

Para frequentadores, a praça, que passou por revitalização em junho de 2009, merece  mais atenção e vigilância.

“Fechar as portas não é solução, e sim colocar um efetivo maior nas ruas. É o Centro da cidade e precisa ter patrulhamento, um dos poucos espaços públicos onde muitas pessoas que trabalham no Centro vêm para ficar no horário de almoço”, desabafa o designer gráfico Raphael Cândido.

Para Márcia Brás, de 40, a diferença entre fechar ou não é pequena, já que o espaço não pode ser utilizado.
“É uma pena, tanto fechar os portões como deixar a praça tomada por moradores de rua. Um descaso só”, conclui. (Wilson Mendes). ( O Fluminense )

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Trecho do Caminho Niemeyer vira moradia para população de rua

Problema estaria ocorrendo desde setembro após o Controle Urbano remover famílias que ‘viviam’ no Centro e, desde então, os mesmos teriam migrado para outros locais da região

Moradores de rua estão fazendo de um pedaço de praia entre a estação das Barcas e o Caminho Niemeyer uma residência. Sem se preocupar com as pessoas que passam ou os veículos que saem do estacionamento vizinho ao local, os novos residentes da Baía de Guanabara foram flagrados pela equipe do  Jornal Fluminense dormindo embaixo de árvores daquela área.

Desde a operação no dia 20 de setembro, aumentou o número de moradores de rua perambulando pelas vias centrais da cidade. Na ocasião, o Controle Urbano removeu duas famílias que moravam na Avenida Amaral Peixoto e retirou 12 toneladas de materiais das ruas.

A indignação do assentamento já chegou ao twitter. O jornalista Rafael Coelho postou nesta quarta-feira pela manhã sua indignação: “Pedaço de areia (Baía de Guanabara) entre estação das Barcas e Caminho Niemayer, em Niterói, virou moradia fixa de mendigos.”(O Fluminense)

domingo, 16 de maio de 2010

Niterói tem a maior taxa de moradores de rua do país

Concentração de mendigos é muita e os abrigos são poucos. Segundo a Secretaria de Assistência Social, os índices vêm caindo. Mas, entidades dizem que crescem

Conhecida pela beleza natural, extensa área litorânea e pelo alto índice de qualidade de vida, Niterói é também uma das cidades com maior concentração de moradores de rua do Brasil. A proporção de moradores de rua em relação à população do município é o dobro do índice nacional. Segundo pesquisa inédita do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, há 529 pessoas nessa situação, o que corresponde a 0,112% do total de niteroienses. Já a média nacional é de 0,061%. Apesar dos números, a Prefeitura conta apenas com um abrigo, com capacidade para 50 pessoas. 

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional sobre a População em Situação de Rua, desenvolvida entre agosto de 2007 e março de 2008, pelo Instituto Meta, escolhido pelo ministério. Em Niterói, 68,8% dos mendigos são do sexo masculino e quase a metade (49,6%) tem entre 45 e 54 anos. Em relação à escolaridade e emprego, o estudo concluiu que quase 50% não terminou o Ensino Médio e mais de 30% são catadores de material reciclável. Em todo o País foram identificados 31.922 adultos em situação de rua. O levantamento foi feito com pessoas acima dos 18 anos, em 71 municípios. Desses, 48 tinham mais 300 mil habitantes e 23 capitais participaram independentemente do porte populacional.

Para a Secretaria Municipal de Assistência Social, os dados da pesquisa estão desatualizados e não correspondem à realidade de Niterói. O órgão calcula 450 mendigos na cidade, número que, segundo a Secretaria, cai a cada ano. De acordo com uma das coordenadoras do Centro de Referência especializado da Secretaria, Diana Arrais, frequentemente, há ações estratégicas em conjunto com outros órgãos para retirar moradores das ruas. Com a ajuda de denúncias da sociedade, os agentes vão a pontos onde há maior concentração de mendigos e tentam levá-los para o abrigo ou de volta para os estados natais. 

Diana disse ainda que o único abrigo público, a Casa de Cidadania Florestan Fernandes, no Centro, está com todas as 50 vagas preenchidas. Niterói conta ainda com 14 instituições filantrópicas que acolhem moradores de rua. Já a secretaria estadual de Assistência Social informou que ações de retirada de moradores das ruas são dever no governo do município. 

“Há muita migração de moradores de rua de municípios vizinhos para Niterói, mas o índice na cidade está caindo. Monitoramos as ruas e atendemos denúncias da população. Os moradores de rua se concentram mais no Centro e em Icaraí”, cita.

Entidades que realizam trabalhos solidários, porém, afirmam que a população de rua cresce a cada ano. Uma vez por semana, Nila Vilma utiliza o espaço da Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, em Santa Rosa, para preparar os lanches doados. Há dois anos, diz ela, 150 refeições eram suficientes, mas hoje, 300 não alimentam todo o público-alvo. 

“Faço esse trabalho há 17 anos e percebo que o número de mendigos cresce. Tudo o que é distribuído vem de doações. Faço tudo com muito carinho e dou o melhor alimento para eles”, disse.

O mesmo panorama foi observado por religiosas da Fraternidade Toca de Assis, em São Domingos. De acordo com Lunne Nunes, responsável pelos trabalhos nas ruas, os 80 lanches distribuídos todas as sextas à noite nunca são suficientes. Ela conta que os principais pontos de atuação são o Fonseca e o Centro. Atualmente, a casa da fraternidade acolhe sete ex-moradores de rua, capacidade máxima do local.

“Toda semana vejo novos moradores de rua e sempre tem gente chegando. Conversamos com eles, vemos as necessidades deles e damos uma palavra de conforto. Acolhemos aqueles em situação mais crítica e sempre tentamos contato com a família. Se fosse possível, receberíamos todos”, disse. 

Apesar desse tipo de iniciativa, a secretária municipal de Assistência Social, Kátia Paiva, orienta a população a não oferecer alimento e dinheiro aos mendigos, pois a prática estimula a permanência do grupo nas ruas.
“A sociedade fica comovida ao ver um morador de rua, mas é importante entrar em contato com a Prefeitura e se informar sobre como ajudar da melhor maneira”, alerta. 

À margem de toda qualidade de vida oferecida à população de Niterói, é possível ver centenas de pessoas fazerem de diferentes avenidas e praças da cidade a própria residência. Em plena luz do dia, por volta das 12 horas, O FLUMINENSE encontrou mendigos em cinco pontos, a maioria na área nobre da cidade: praça em frente à Igreja São Francisco Xavier, em São Francisco, em frente ao Complexo Esportivo Caio Martins e na Praça Getúlio Vargas, em Icaraí, além da Cantareira, em São Domingos, e da Avenida Amaral Peixoto, no Centro.  

Moradora de São Francisco há mais de dez anos, a administradora Cecília Adami, de 23 anos, evita passar próximo à agência da Caixa Econômica durante a noite por causa da concentração de mendigos no local. Já o estudante Philip Marins, de 24, relata que é normal encontrar moradores de rua embriagados no antigo Cinema Icaraí, a maioria adultos.

“O número de mendigos está crescendo no bairro. O problema é que muitos fogem dos abrigos e retornam às ruas”, opina.

São Gonçalo – O município de São Gonçalo também integrou a lista dos 71 que participaram do levantamento do Ministério do Desenvolvimento Social. De acordo com a pesquisa, foram identificadas 289 pessoas em situação de rua, o equivalente a 0,030% da população total. Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social, porém, existem 350 pessoas nessa situação, mas cerca de 200 vivem em abrigos. A secretaria informa ainda que o índice caiu 5% nos últimos anos e que há projetos para devolver a população ao estado de origem. Além disso, cerca de 30 instituições religiosas atendem moradores de rua.
Ex-mendigo conta sua trajetória


De usuário de drogas e mendigo, o pai de família e funcionário da secretaria municipal de Assistência Social. Rodrigo, de 25 anos, é a prova de que é possível estabelecer a reinserção social da população de rua. Com 18 anos, após conflitos com o pai, com quem morava no Tenente Jardim, ele abandonou o lar e morou em diferentes ruas e praças de Niterói, entre 2003 e 2004. Durante período, classificado como o pior da vida, Rodrigo vivia de coleta de papel, mas boa parte dos 70 reais que conseguia por semana era gasto com entorpecentes.

Quando já estava se “acostumando” com a situação vivida nas ruas, ele foi acolhido no Florestan Fernandes, conseguiu se estruturar psicologicamente e retornou à casa do pai. Além disso, recebeu a oportunidade de emprego dentro da secretaria. Desde 2007, ele é cuidador social e ensina noções de cidadania aos abrigados.

“Passei 11 meses na rua, de 2003 a 2004, mas ficar lá nunca foi o meu perfil. É uma situação muito difícil e vergonhosa. Não aceitava comida das pessoas por medo de estarem envenenadas, por isso passei fome. Na rua, nunca teria a alegria de ser pai e chefe de família.  Hoje tenho uma vida digna, mas o carimbo de ex-morador de rua não sai facilmente”, declara.

Álcool, drogas, desemprego e violência doméstica

Segundo a pesquisa encomenadada pelo Ministério do Desenvolvimento, os principais motivos da ida das pessoas para as ruas são uso de drogas ou álcool, desemprego, problemas com familiares e perda da moradia.  

Do total de indivíduos pesquisados, cerca de 50% está fora de casa há mais de dois anos. E dois em cada três dormem sempre na rua, enquanto cerca de 20% costumam dormir em abrigos. Ainda há outros que costumam alternar, ora dormindo na rua, ora dormindo em albergues. E a maioria não vive de esmolas. Questionados sobre o que fazem para sobreviver, 71% dos entrevistados disseram exercer alguma atividade remunerada. Menos de 20% revelaram que a sua principal fonte de renda são as esmolas. 

Migração – Em Niterói, um outro problema seria a migração da população de rua de outras cidades. Além disso, 23% dos moradores de rua entrevistados sempre viveram no município, enquanto 64% vieram de outras cidades e 13%, de outros estados. Um levantamento apresentado pela Secretaria de Assistência Social de Niterói no início do ano mostra que um em cada cinco moradores de rua atendidos em 2009 e que apontaram sua origem era do Rio. A Prefeitura disse na época que notou um considerável aumento de pessoas oriundas do Rio, por conta das operações de “Choque de Ordem” do prefeito Eduardo Paes. A Secretaria de Assistência Social disse ainda que Niterói recebe pessoas de outras cidades e estados. (O Fluminense)