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terça-feira, 31 de maio de 2011

Guardadores ilegais viram garotos propaganda em Niterói


‘Flanelinhas’ foram flagrados usando ‘uniforme’ de empresa de monitoramento por GPS. Atitude irrita secretário municipal e Prefeitura avisa que vai investigar denúncia

Flanelinhas irregulares continuaram agindo impunemente em vários pontos de Niterói. Na tarde desta segunda-feira, três deles exigiam dinheiro de motoristas que estacionavam em frente a um restaurante da Praia de Charitas, na Zona Sul da cidade. Chamava atenção o fato de todos estarem vestidos com camisa laranja, de uma empresa de monitoramento de veículos por satélite, com sede em Niterói.

Um deles contou que a empresa pagou para eles usarem as camisas com a propaganda devido ao contato direto com os motoristas. A denúncia irritou o secretário municipal de Segurança e Controle Urbano, Wolney Trindade, que enviará guardas ao local para checar a informação. Ele também irá notificar a delegacia de Jurujuba (79ª DP) e o 12º BPM  (Niterói).  

“Se nós confirmarmos que essa empresa está pagando esses flanelinhas para fazer propaganda, ela poderá sofrer ação fiscal. A empresa será, inclusive, multada por propaganda ilegal. É um absurdo que uma instituição com sede na cidade incentive e financie atividades irregulares”, declarou Wolney. 

A ação impune dos flanelinhas na cidade não é novidade para o secretário, que já enviou dossiê à Secretaria de Estado de Segurança Pública, como mostrou o jornal Fluminense na edição de sábado. Mesmo sem autorização para explorar o serviço, guardadores irregulares chegam a exigir R$ 20 de motoristas em troca de vagas em espaços públicos, em especial durante a noite. Os que não cedem à chantagem acabam tendo seus carros danificados ou sofrem agressões físicas.

Uma moradora de São Francisco confirmou que o grupo cobra valores abusivos, mas que os frequentadores do local têm medo de denunciar.

“Moro em São Francisco, o bairro que mais tem flanelinhas na cidade e morro de medo deles, porque eles ameaçam mesmo. A fama que rola é de que são todos ligados a coisas ruins, mas não tenho coragem de denunciar por medo de represália. Fico feliz que alguém quer tomar uma atitude quanto a esse horror que se espalhou pela cidade”, desabafou.

Cinco flanelinhas que atuam há 15 anos na região seriam moradores do Morro do Preventório. Outro grupo assumiria o serviço à noite. Um deles revelou que o valor cobrado varia de acordo com o modelo do carro, mas considerou essa uma forma honesta de ganhar e sugeriu até que a Prefeitura legalizasse a ação deles no local.

A Prefeitura, por sua vez, informou que não vai legalizar a atividade e a Nit Park é a única empresa autorizada a explorar a atividade em pontos permitidos.

MP denuncia - A 4ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal da 2ª Central de Inquéritos denunciou nesta segunda-feira um ex-flanelinha de Niterói pelo crime de homicídio duplamente qualificado. Ele matou a tiros um ex-colega de ofício, em plena luz do dia, no Centro, em abril deste ano. (O Fluminense)

sábado, 30 de abril de 2011

Máfia dos 'flanelinhas' age impune no Centro de Niterói



Apoiados por traficantes da região, os guardadores põem motoristas em risco e inibem a fiscalização. Problema é maior em trechos da Moacyr Padilha e Luis Eduardo Gomes

A Secretaria de Segurança e Controle de Niterói vai pedir ajuda à Polícia Militar para pôr fim na máfia dos flanelinhas que tomou conta de trechos das ruas Moacyr Padilha e Luis Eduardo Gomes, onde o estacionamento é proibido no Centro de Niterói. Segundo o secretário Wolney Trindade, guardadores clandestinos chegam a cobrar R$ 5 por uma vaga junto às calçadas, estreitando as pistas e colocando em risco a segurança de motoristas que passam pelo local, bastante usado como atalho entre o bairro e Icaraí.

Com apoio de traficantes do Morro do Estado, que tem um dos acessos pela Moacyr Padilha, os flanelinhas estariam ainda extorquindo livremente dinheiro de motoristas e ameaçando a fiscalização da Niterói Transporte e Trânsito (NitTrans). Uma reunião agendada por Wolney entre donos de estabelecimentos na região e o comando do 12º BPM (Niterói) foi marcada para esta terça, às 15 horas, no batalhão.

“As ruas Moacyr Padilha e Eduardo Luiz Gomes possuem mão dupla e os estacionamentos ilegais em ambos os lados da pista acabam por complicar o trânsito, impedindo até mesmo ambulâncias de transitarem em algumas ocasiões. Como não há guardadores de carros legalizados, o local acabou por ser invadido por flanelinhas que se dizem ligados ao tráfico do Morro do Estado. Eles cobram um preço mais alto que um estacionamento legal e acabam por ameaçar quem precisa estacionar”,  denuncia Wolney.

Situação no local teria piorado- Segundo o secretário, a situação vem piorado nos últimos meses e o número de denúncias que ele tem recebido vem aumentado a cada dia “São casos diários de pessoas reclamando, dizendo que são ameaçadas ou constrangidas por esses flanelinhas, que avisam que se elas não pagarem o preço que eles querem, o carro vai ser arranhado e quebrado. As pessoas ficam com medo e acabam pagando”, acrescenta.

Wolney relata ainda que esses guardadores ilegais impedem que os agentes da NitTrans  fiscalizem o local. Caso tentem multar algum carro, são ameaçados pelos flanelinhas.  “Aquilo é uma bagunça. Não pode ter estacionamento dos dois lados e quem fiscaliza é ameaçado. Os caras que tomam conta dali se dizem ligados ao tráfico e eles inclusive brigam entre eles por espaço, como aconteceu naquele caso, quando um flanelinha  foi assassinado”,  diz o secretário, referindo-se a um incidente recente.

Delegado vai investigar denúncias

O delegado Nilton Pereira, titular da 76ª DP (Niterói), diz que por ter assumido há pouco tempo a delegacia, não está ciente da ação de flanelinhas na região, mas se comprometeu a investigar as denúncias.

O tenente-coronel Paulo Henrique Moraes, por sua vez, diz que não recebeu nenhuma informação de ameaças no local, mas já se prontificou a acompanhar qualquer ação de fiscalização.(O Fluminense)