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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

PMRJ faz faxina

PM expulsa 30 policiais acusados de participação em crimes no RJ

Segundo corregedor, entre os expulsos há um sargento, soldados e cabos.
Eles são acusados de crimes como extorsão e tentativa de homicídio.

A Polícia Militar confirmou nesta segunda-feira (1º) que 30 agentes foram expulsos da corporação por desvio de conduta. A expulsão foi publicada no boletim interno da corporação na última sexta-feira (29).

De acordo com o corregedor da PM, coronel Ronaldo Menezes, entre os policiais expulsos estão um sargento, soldados e cabos. Eles são acusados de participarem de crimes como tortura, formação de quadrilha e tentativa de homicídio.

Menezes informou que esta semana novas expulsão serão julgadas pelo comandante geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte. "Essa semana temos novos despachos com o comandante", disse o coronel. Para ele, a mudança da sede da Corregedoria, no Centro da cidade, para o município de Niterói tem facilitado a apuração dos processos. "Os julgamentos são feitos com mais rapidez e critério", afirmou.

Quatro oficiais foram expulsos pela Secretaria de Segurança
 
Na sexta-feira (29), o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, decidiu expulsar  quatro oficiais da Polícia Militar e sete inspetores da Polícia Civil, segundo informou a assessoria da Secretaria de Segurança.

Segundo a Secretaria, os 11 policiais já tiveram seus processos julgados pela Corregedoria Geral Unificada. A expulsão dos quatro policiais militares tem que ser ainda autorizada pela Justiça comum.

Entre os crimes que teriam sido cometidos pelos policiais civis estão extorsão, roubo e receptação. Já dois policiais militares teriam envolvimento com milícias e os outros dois com a máfia dos caça-níqueis, informou a Secretaria.(G1)

 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Policial envolvido em esquema de propina acaba preso em Niterói


Um Civil e outros dois agentes integrariam quadrilha que agia na carceragem da Polinter de Araruama, na Região dos Lagos, cobrando dinheiro em troca de benefícios para presos

Três policiais civis acabaram presos e cerca de R$ 20 mil foram apreendidos durante a Operação Grades Limpas, deflagrada nesta segunda-feira, para desarticular uma quadrilha que agia na carceragem da Polinter de Araruama, na Região dos Lagos, cobrando propinas em troca de benefícios para alguns presos. Um dos envolvidos foi detido dentro de casa, em Niterói.
A ação foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e pela 1ª Promotoria de Justiça de Araruama, em parceria com a Corregedoria Geral Unificada (CGU) das Polícias. 

Uma pequena quantidade de maconha foi apreendida na sala da administração da carceragem e no banheiro do carcereiro. Desde a manhã, foram cumpridos dez mandados de prisão temporária expedidos pela Vara Criminal de Araruama. O Inspetor da Polícia Civil Luis Carlos Freitas Calixto foi preso dentro da carceragem. Com ele, foram apreendidos cerca de R$ 1.100 e um cheque de R$ 4 mil. Os Inspetores Carlos Eduardo de Barros e Flávio da Rosa foram presos em suas casas, localizadas, respectivamente, em Niterói e Magé.

Dentro da carceragem, onde foi cumprido o mandado de busca e apreensão, foram descobertas cinco celas "especiais" que acomodavam uma média de três presos cada, enquanto as outras chegavam a receber mais de 30 detentos. As investigações apontaram que a quadrilha cobrava R$ 3 mil de entrada e uma quantia semanal de R$ 200 de cada preso em troca da permanência nas celas especiais, onde havia regalias como aparelhos de som e de DVD, ar-condicionado e até um vídeo game de última geração. Nestas celas, foram apreendidos cerca de R$ 18 mil em espécie. Também de acordo com a investigação, os presos que denunciassem o esquema seriam punidos com severas agressões. 

Os Promotores de Justiça Juliana Pompeu, Marcelo Maurício Barbosa Arsênio e Túlio Caiban Bruno e o Chefe de Operações da CGU, Delegado Jayme Berbat, descobriram ainda, dentro da carceragem, uma sala especial para visitas íntimas com cama, frigobar e ar-condicionado. Para usá-la, os envolvidos no esquema cobravam R$ 50 por um período de meia hora ou R$ 100 por uma hora. Ao lado dela, nas salas de administração, havia cerca de 20 mil preservativos encaixotados. No pátio interno da Polinter, havia duas construções improvisadas com TV, som e fogareiro, que abrigavam um preso em cada. No local, também havia uma cantina explorada comercialmente pelos presos, onde foram encontradas centenas de salgadinhos e mais de 600 garrafas de refrigerante.

A decisão judicial também afastou os policiais de suas funções. “Os policiais com prisão temporária decretada vão responder a processo criminal a partir da denúncia do MP e a processo administrativo no âmbito da Corregedoria, podendo ser demitidos da corporação”, ressaltou Jayme.

Além dos policiais presos, a quadrilha era composta por outros oito detentos que também tiveram prisão decretada. Destes, sete foram encontrados no local, inclusive o líder Fernando Braga Maria. Um outro homem que esteve preso na carceragem, conhecido como Alvarenga, está foragido.

“As notícias de valores cobrados em troca de visitas íntimas, ligações telefônicas e outras benesses nos chegavam desde 2007. Recentemente, reunimos elementos suficientes para deflagrar a Operação. Todos os presos devem ser denunciados nos próximos dias por diversos crimes, entre eles formação de quadrilha e concussão”, disse a Promotora Juliana Pompeu. O Subcoordenador do GAECO, Promotor de Justiça Marcelo Maurício Arsênio, acrescentou que os valores eram cobrados até por direitos dos presos. “O esquema de corrupção lucrava com banhos de sol e até quentinhas fornecidas pelo Estado. As investigações vão prosseguir, e, se novas pessoas forem identificadas, serão denunciadas”, revelou.(O Fluminense)

domingo, 5 de dezembro de 2010

Policiais coagiram menino a inventar que foi baleado por traficantes


Nem herói nem bandido. Quando questionado sobre o que quer ser quando crescer, o menino P., de 10 anos, diz sem pensar duas vezes: “quero ser trabalhador”. É o desejo simples e sincero de um jovem morador da favela do Jacarezinho que, no último dia 27, transformou-se em personagem do maior boato criado no rastro de ataques de traficantes no Rio. O Brasil acreditou que o menino fora baleado por traficantes ao se recusar a incendiar veículos. Era mentira. E o pior: uma mentira com carimbo oficial.


Vergalhão ou bala?
O boato começou a se construir, na madrugada daquele sábado, no setor de atendimento do Hospital do Andaraí. P. chegou à unidade acompanhado da mãe, a dona de casa Alcione, de 31 anos. Numa traquinagem típica da sua idade, o garoto subiu numa moto, o veículo deu um tranco, e P. caiu sobre ferros de uma churrasqueira. Um vergalhão fez um corte em sua perna esquerda.


A história poderia ter terminado por aí. Mas, os policiais e os médicos que atenderam P., ignoraram a versão da mãe e optaram por levantar uma outra hipótese: a de que o ferimento na perna fora provocada por um bala disparada por arma. No Boletim de Atendimento Médico (BAM), o médico colocou a sigla PAF (perfuração por arma de fogo), seguida de dois pontos de interrogação. Por causa da suspeita, a equipe médica convocou policiais.

— Os PMs do hospital começaram a tratar a gente como bandido. Foi uma humilhação — relembra Alcione.

‘Estou com medo dos policiais’ A versão contada por P. na 25ª DP transformou o garoto em herói da resistência. No dia seguinte, um domingo em que a população continuava assustada com os atentados, boa parte da imprensa procurava o menino que desafiara o tráfico do Jacarezinho.


Alcione, a mãe, conta que chegou a procurar a TV Record para denunciar o caso. Foi até a porta da rede de televisão, falou com um repórter e contou a verdadeira história daquela madrugada:


— O repórter pegou meu telefone, falou que ia me ligar, mas isso nunca aconteceu.


O EXTRA encontrou P. e a mãe, na última quarta-feira. O garoto estava arredio. A reportagem propôs acompanhar os dois novamente ao hospital e à delegacia, a fim de pegar cópia do BAM e um memorando de encaminhamento para exame de corpo de delito, que ainda não tinha sido feito no IML.


Nas proximidades da DP, P. pediu para ficar no carro.


— Estou com medo dos policiais — explicou ele.

O menino ferido e a mãe foram conduzidos à 25ª DP (Engenho Novo), onde a mentira ganhou contornos oficiais. A mãe manteve a versão de que o filho havia se ferido com vergalhão, mas o menor, que havia sido pressionado pelos PMs ainda no hospital, contou outra história.


— Os policiais (militares) ameaçavam matar meus pais se eu não falasse o que eles queiram — conta P..


Acuado, o menor falou o que os policiais queriam ouvir. E assim, surgiu o boato do traficante. Tudo poderia ter sido esclarecido com uma perícia. Mas ela só feita 7 dias depois, a pedido do EXTRA, que investigava o boato. Eis a verdade dessa mirabolante história:


— Definitivamente, o ferimento não foi provocado por bala — conclui o perito e diretor do Instituto Médico Legal (IML), Sérgio Simonsen.

Investigação sobre conduta de policiais O Hospital do Andaraí informou que, pela Lei das Contravenções Penais, todo tipo de trauma e acidente que dá entrada nas unidades federais de saúde sob suspeita de agressão ou violência deve ser comunicado à autoridade policial — independentemente de ser tiro — para fazer exame de corpo de delito.

“Diante das características do ferimento na perna (semelhante a orifícios de entrada e de saída) foi questionada pelo médico responsável a hipótese de ter sido causada por projétil. Mas, em nenhum momento, o documento confirma ou valida a hipótese”, informou o hospital.

O tenente-coronel Luiz Octávio, comandante do 6º BPM (Tijuca), disse que o caso será investigado já neste fim de semana.

Perícia
Segundo o diretor do IML, Sérgio Simonsen, o ferimento que foi cogitado pelo médico do Andaraí como sendo o de entrada de uma possível bala tinha uma cicatrização de mais de sete dias. Além disso, Simonsen ressalta que o raio-x mostrou que a perfuração seguiu somente até um certo ponto da perna. Ou seja: o objeto que feriu o menino entrou, mas não saiu.

— Se fosse ferimento a bala, o projétil teria que estar lá. Se o raio-x mostra que o objeto foi até um certo ponto, é difícil de confundir — avalia perito judicial e cirurgião Movses Parseghian.(Jornal Extra)