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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

CNBB reconhece erro ao posicionar-se contra Dilma

O Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), grupo representante das dioceses do Estado de São Paulo, reconheceu hoje ter errado em posicionar-se politicamente contra o PT e a candidata Dilma Rousseff em nota intitulada "Apelo a todos os brasileiros e brasileiras", feita pela Comissão em Defesa da Vida e endossada pela direção da seção paulista da CNBB.

"O erro foi a apresentação de sigla partidária. Esse erro realmente foi colocado, isso não poderia ter acontecido. Você pode fazer uma nota, mas a partir do momento que você cita nome, cita partido, realmente você fere as pessoas. Com humildade, as pessoas reconheceram e vamos adiante, é preciso olhar para a frente", afirmou o bispo de Limeira, d. Vilson Dias de Oliveira, responsável pela Pastoral da Comunicação do Regional Sul 1.

Após a ressonância do conteúdo da nota propagada à revelia dos bispos pela internet, pelas paróquias, comunidades, igrejas e as ruas, não somente do Estado de São Paulo, os bispos católicos do Regional Sul 1 da CNBB divulgaram hoje nota oficial para esclarecer que "não indicam nem vetam candidatos ou partidos e que respeitam a decisão livre e autônoma de cada eleitor". "Agora não podemos tapar o sol com a peneira a essa altura dos fatos. O documento ("Apelo aos a todos os brasileiros e brasileiras") existiu, foi revisto, tirado do ar (internet) e, com essa nota, eliminado", afirmou d. Vilson.

A pedido do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Polícia Federal (PF) apreendeu hoje ao menos 1 milhão de panfletos com o conteúdo produzido pela Comissão em Defesa da Vida, em uma gráfica no bairro Cambuci, em São Paulo. O material, com a logomarca da CNBB e as assinaturas do presidente, vice-presidente e secretário-geral do Regional Sul 1, recomenda aos eleitores votos somente a candidatos ou candidatas de partidos contrários à descriminalização do aborto.

Embora não citem o nome de Dilma, os panfletos apontam o PT como apoiador do terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela então ministra da Casa Civil, no qual se reafirmou a descriminalização do aborto. O material teria sido encomendado pela Diocese de Guarulhos. O bispo de Guarulhos, d. Luiz Gonzaga Bergonzini, não foi encontrado para falar sobre o assunto.
Nota
A nota divulgada hoje pela Regional Sul 1 diz que o grupo "desaprova a instrumentalização de suas declarações e notas e enfatiza que não patrocina a impressão e a difusão de folhetos a favor ou contra candidatos". O documento foi produzido e assinado por cerca de 50 bispos em uma reunião privada realizada na noite de ontem, em Indaiatuba (SP). Os bispos estavam na Vila Kostka, casa de retiros na qual ocorreu uma assembleia com lideranças diocesanas paulistas.

D. Vilson informou que não cabe à CNBB apurar se a ordem para a impressão dos panfletos anti-Dilma teria partido mesmo da diocese de Guarulhos. "Pode haver punição, mas aí é da nunciatura com o bispo", afirmou d. Vilson. A nunciatura apostólica funciona como a embaixada da Santa Sé no País. O núncio apostólico (representante do Vaticano) no Brasil é d. Lorenzo Baldisseri. "Se a polícia apreendeu e se vai ser descoberto se foi ele (o bispo de Guarulhos), ou foi um serrista ou sei lá eu quem foi que fez, quem está patrocinando, isso é a investigação que vai dizer. A CNBB faz questão de dizer que ela está fora disso", disse.(Yahoo)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Padre é preso ao embarcar com 52,8 mil euros

O ecônomo (responsável pela administração dos bens) da Arquidiocese do Rio de Janeiro, monsenhor Abílio Ferreira da Nova, 77, foi preso pela Polícia Federal no aeroporto Tom Jobim, no domingo, quando embarcava para Portugal com 52,8 mil euros (R$ 117,2 mil) e US$ 778. 

Ele foi indiciado sob acusação de evasão de divisas, crime com pena prevista de dois a seis anos de reclusão.
Segundo a PF, o religioso transportava 45 mil sem autorização legal na bagagem. A lei obriga passageiros a declarar à Receita a posse de valores em moedas estrangeiras superiores a R$ 10 mil. A quantia foi apreendida, de acordo com a PF. 

Outros 7.000 que estavam com o religioso tinham origem comprovada por meio de documento de câmbio do Bradesco, ou seja, atendiam a uma das exigências da Receita. 

Por meio da assessoria da Arquidiocese, Abílio disse em nota que viajava de férias para a sua cidade natal, em Portugal, onde iria descansar, cuidar da saúde, visitar parentes e celebrar um casamento e um batizado.
"Levava comigo parte de minhas economias, adquiridas ao longo de anos, cuja procedência é declarada. Minha intenção era ajudar parentes pobres e a paróquia onde fui batizado", disse. 

Ele lamentou ainda "o erro de não ter informado, previamente, que estava de posse [do dinheiro]".
Abílio ficou preso no aeroporto até a manhã de segunda-feira (6), quando a Justiça Federal concedeu liberdade provisória. Em seu pedido, ele alegou problemas de saúde e sugeriu até ficar em prisão domiciliar como alternativa à reclusão em presídio. 

Em nota divulgada ontem à tarde, a Arquidiocese do Rio afirmou que Abílio havia apresentado pedido de renúncia ao cargo em maio devido a problemas de saúde. 

O monsenhor assumiu o cargo no ano passado após o padre Edvino Steckel ser afastado por excesso de gastos, como a compra de um apartamento de R$ 2,2 milhões no Flamengo, zona sul. 

A delegacia da PF no aeroporto afirmou que recebeu uma denúncia anônima no sábado (5), comunicando que uma "pessoa chamada Abílio Ferreira da Nova embarcaria às 18h45 no voo 184 da TAP, levando 50 mil sem declaração de imposto".(Folha de São Paulo)